2 faixas · 70m27s
Que eu deseje as coisas certas, no momento certo Que meus olhos se habituem ao escuro, para não perder de vista o mundo que almejo Que a luz não ofusque a visão, para desfrutar do dia que vier Que eu no momento certo, eu peça as coisas certas Na distância em que os galhos do destino alcançarem o sol Na medida em que a lua puder guiar meus passos
Uma música semi-aleatória (no sentido cageano), semi-improvisada, um pedido antes de tudo a si mesmo para manter a própria vontade frente aos dos baques dos amassados produtivista-consumistas.
Nada é dito em vão na nossa Língua materna, e palavras que Não movem a carne, natimortas Sempre voltam gritando nos sonhos Não vou trincar A cristalina paz Pra provar minha razão Isso é fraqueza de vontade Toda tarde o céu vermelho faz lembrar De como você parecia cobrir o Sol Onde eu estaria sem você? Aqui estou, meu amigo, aqui estou Não vou trincar A cristalina paz Pra provar minha razão Isso é fraqueza de vontade Trabalho tolo prender Vaga-lumes em potes Uma ciência da vida Escrita a mãos atadas
Não tem serventia falar algo para alguém que não quer entender, não tem serventia dar pérolas aos porcos, e não tem serventia o discurso vazio. O que importa não é interpretar o mundo e sim transformá-lo.
Ano retrasado, Passado talvez, Ou minutos atrás A terra se tornou insossa Na falta do meu suor Um recepção vazia Exceto pelo ponto E todo trabalho entulhado A terra se tornou insossa Na falta do meu suor Os pássaros voam Eu sei que ainda voam Mas fogem do meu olhar E eu, corro de todo som Que desconheço Sim, eu desejo Quero algo com sabor, É só que A terra se tornou insossa Na falta do meu suor Do que eu fiz só vejo o certo O que meu coração e figado Mandaram, sonhos caros Não vejo o mal em criar Cuidar, ser melhor que ontem Porque não é só saber Tem dever moral também São laços parentais Mas com essa hospitalidade Não dá pra chamar Manaus de lar E a parte de mim que fica Sempre que vou embora repete sem entender "A terra se tornou insossa Na falta do meu suor"
O trabalho alienado, mecânico ou improdutivo torna o mundo tedioso. A privação da oportunidade de praticar arte de criar e cuidar mata o nosso lado humano. Anos de emprego e a falta de tempo para o trabalho nos fizeram inclusive esquecer do que perdemos. É preciso parar de acumular e começar a despender, trazer o sal de nossas testas de volta à terra.
O cordeiro sob o melhor feno Anseia benevolente por horas De vento, pólen e sol Ao chamado de seu pastor Sombra, água e frustração Frustração O cavalo selvagem à própria sorte Magro, ferido e fraco O corvo a espreita o aguarda De seus olhos desbotam e desmancham Desbotam, desmancham e se esgotam Em aceitação Em aceitação
Um paralelismo exagerado e dualista entre passividade x atividade e conforto x desconforto, a benção da ignorância versus a liberdade do (auto)conhecimento.
Uma pedra no parabrisa do inimigo. Um relato mais pessoal que o primeiro EP, sobre nossa experiência com a expulsão do paraíso, nossa estadia no hotel de kenoma, nossa ida ao carrossel de samsara e outras mazelas da vida no capitalismo tardio, que aqui chamamos de Éden.